quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

As 3 corridas que o UOL perdeu (Parte 2)

Este mês o Segunda Onda estréia analisando algumas corridas que o UOL perdeu, uma de cada vez, apontando erros e possíveis soluções para alguns problemas deste gigantossauro da web brasileira.

Instant Messaging - Uol Messenger

Em 1999, com 3 anos de desvantagem, o UOL lança o ComVC - um programa que na época concorria com o hoje decrépito ICQ. 

O Msn (live) Messenger ainda não havia dado o ar de sua graça, e o Google mal tinha saído de dentro do quarto de universidade dos Srs. Larry Page e Sergey Brin.

Com a vantagem de ser totalmente em português e possuir uma maciça campanha de mídia, o ComVC chegou (segundo o UOL) a marca de 500 mil usuários, sem que no entanto, algum amigo seu, ou mesmo você, usasse o serviço.

Sem possuir integração com o já popular ICQ ou com a modinha adolescente da época, o IRC, o primeiro comunicador instantâneo do UOL jamais chegou a liderança no mercado de IM no Brasil. Não havia sentido em usar um comunicador se não havia ninguém para se comunicar.

Este é um notável exemplo de como é estranha essa mania que o UOL tem de chegar atrasado em tudo... E como isso pode ser mortal para a atuação dessa empresa.



Os Israelenses da Mirabilis mandavam no pedaço naquela época, com seu pioneiro ICQ.


Anos adiante, o ICQ, fora adquirido pela America On-Line e estava se tornando um verdadeiro pé no saco. Muitas funções inúteis, propagandas, e um código carregado, capaz de transformar qualquer supercomputador da época em uma lesma. Chegaram até a desenvolver um "Icq Lite" pra tentar combater o problema. 

Nessa época, a Microsoft deu o pulo do gato, e abocanhou grande parte dos novos internautas tupiniquins com o novo, prático e atualmente intrusivo MSN Messenger...

É claro: anos depois o UOL faz sua investida nada inesperada contra o IM da Microsoft. Dessa vez, o diferencial era levar o usuário leigo ao engano e batizar sua nova empreitada no mercado com o singelo nome de... "Messenger".

Após 8 anos de sua entrada no mercado de instant messaging, risivelmente, a empresa conserta o já irrelevante problema da falta de integração com o ICQ. Há também a interessante integração com o GTalk e o verdadeiro Messenger - o da Microsoft. 

Sob um aspécto, O UOL acerta a mão dessa vez, provavelmente com dor no peito, e resiste a tentação de atolar a interface do programa com o festival de propagandas que caracteriza a primeira página do portal da empresa. 




A boa notícia acaba por aí. Ao abrir o programa a primeira coisa que se nota é como ele é identico ao MSN Messenger... Seria até interessante: um Msn Messenger sem propagandas e pop-ups... Mas o negócio dá medo. Além de um amontoado de links persistentes para serviços que ninguém usa, como o UOLK(ut),  o novo IM do UOL possui os controles do medonho Windows Media Player a espreita, interligando o programinha a Rádio UOL. É como receber um tijolo de brinde com um pastel, sem a opção de recusar o presente.

E para tentar popularizar esse pastel de vento, uma maciça campanha publicitária é derramada na mídia televisiva brasileira, tentando angariar almas desinformadas para usar o programinha e risos dos mais atentos.

No comercial que ainda está sendo exibido, pode-se assitir um adolescente descolado dizendo:
"O Uol messenger é o unico que conversa com os outros messengers!!".

Imagem ilustrativa de um adolescente descolado


A propaganda falta com a verdade. Entre os instant messagers que se comunicam com multiplos protocolos, temos o Trillian, o Adium, e muitos outros, sem falar no GAIM, de onde veio o código fonte do novo comunicador do UOL. 

Alguns podem dizer que o UOL acertou a mão ao "criar" um IM  opensource, e até o próprio site do software parece tentar endossar essa ilusão de benevolencia: "O UOL optou por distribuir livremente o código-fonte do UOL Messenger". 

Não é bem assim. O UOL é obrigado pelos termos de uso CC-GNU-GPL a fornecer o código fonte, já que é uma modificação de um software livre. Mais uma vez, o respeito a inteligência das pessoas fica em último lugar.

Mudando um pouco de assunto, quero alertar para o fato de que agora existe uma outra nova forma do UOL Messenger ser obsoleto: a implementação de voz sobre ip. Mas isso merece um capítulo a parte, já que representa a investida do UOL contra o Skype.


No próximo post, confira a terceira parte da série: "As 3 corridas que o Uol perdeu"


As 3 corridas que o UOL perdeu (Parte 1)


O UOL, pioneiro da web brasileira, se torna uma empresa cada vez mais anacrônica. Ainda insistindo em fazer cópias mal feitas de idéias bem sucedidas como o Orkut e o Skype, o portal patina em uma falta absoluta de atenção a detalhes importantes, se consolidando cada vez mais como o lanterninha em todas as grandes corridas dessa nova fase da era digital.

Este mês o Segunda Onda estréia analisando algumas corridas que o UOL perdeu, uma de cada vez, apontando erros e possíveis soluções para alguns problemas.

No post de hoje:

Música Digital - UOL Megastore

Num mundo que cada vez mais se liberta do DRM, inclusive na própria iTunes Music Store, o UOL, mesmo saindo na frente (no que diz respeito ao mercado nacional), mantém uma loja que é tão eficaz em convencer o consumidor a evitar a pirataria quanto um alfinete é capaz de parar um míssil.

Já descontando a interface horrível, e a típica barra lateral sem pé nem cabeça do UOL, só é possível ouvir as músicas usando o indesejável Windows Media Player 10. Isso mesmo! Nada de ipod. Alias, se quiser usar o aparelhinho que é sensação, o UOL te ensina em simples passos como fazer:

"Se você possui um iPod, você também pode ouvir as músicas compradas no UOL Megastore em seu aparelho. Para isso, escolha as músicas que você deseja ouvir e grave-as em um CD de áudio.
Depois, utilize o iTunes para converter as músicas gravadas em um formato compatível com o iPod e colocá-las em seu aparelho. Veja aqui o passo-a-passo em detalhes.
Se você não possui o iTunes, faça o download gratuito aqui (link para usuários de Windows 2000 e XP)."

O meio ambiente agradece.  Queimar um cd e então "rippalo" novamente dentro do iTunes?  Tudo isso pra poder usar o PlayForSure da Microsoft? Tudo isso pra poder vender WMAs da Ivete Sangalo pra alguma fotologger bronzeada, com o computador cheio de virus e preguiça de ir até a loja?

Que tal fazerem acordos com algumas gravadoras brasileiras e oferecer música DRM Free compatíveis com iPod em vez desse lixo? Que tal acordo com gravadoras independentes? Mais uma vez o UOL falha em enxergar as transformações no mercado. 

Pode-se argumentar que o DRM é exigência das gravadoras, mas hoje em dia a campeã imbativel de vendagem de discos no Brasil é a sofrivel banda Calypso, que conseguiu essa marca sem nenhum contrato com alguma major.

Os tempos mudaram. Centenas de artistas de grande potencial de mercado despontam como fenômenos na internet, ligadas a pequenos selos e a gravadoras menores. 

Todos os dados demonstram que a figura das gravadoras está afundando, e aparentemente, em vez de abraçar as mudanças e se beneficiar do maior lucro por música vendida (sem o intermediário das gravadoras), o UOL parece querer afundar com o barco, se sustentando em uma tradição em crise para um negócio que é essencialmente novo.

A saida que eu sugiro, seria calcada em acordos bilaterais com os artistas e pequenas gravadoras para a venda de música sem DRM, ampliando as margens e a interoperabilidade  - ou, em outras palavras, gestão lucrativa e respeito ao consumidor.

DRM é compertir contra a pirataria em plena desvantagem, ainda mais no Brasil.

Se é que existe alguma chance do comércio de música on-line pegar no Brasil, é assim que vai funcionar. Não adianta adiar o inevitavel.