Este mês o Segunda Onda estréia analisando algumas corridas que o UOL perdeu, uma de cada vez, apontando erros e possíveis soluções para alguns problemas deste gigantossauro da web brasileira.Instant Messaging - Uol Messenger
Em 1999, com 3 anos de desvantagem, o UOL lança o ComVC - um programa que na época concorria com o hoje decrépito ICQ.
O Msn (live) Messenger ainda não havia dado o ar de sua graça, e o Google mal tinha saído de dentro do quarto de universidade dos Srs. Larry Page e Sergey Brin.
Com a vantagem de ser totalmente em português e possuir uma maciça campanha de mídia, o ComVC chegou (segundo o UOL) a marca de 500 mil usuários, sem que no entanto, algum amigo seu, ou mesmo você, usasse o serviço.
Sem possuir integração com o já popular ICQ ou com a modinha adolescente da época, o IRC, o primeiro comunicador instantâneo do UOL jamais chegou a liderança no mercado de IM no Brasil. Não havia sentido em usar um comunicador se não havia ninguém para se comunicar.
Este é um notável exemplo de como é estranha essa mania que o UOL tem de chegar atrasado em tudo... E como isso pode ser mortal para a atuação dessa empresa.

Os Israelenses da Mirabilis mandavam no pedaço naquela época, com seu pioneiro ICQ.
Anos adiante, o ICQ, fora adquirido pela America On-Line e estava se tornando um verdadeiro pé no saco. Muitas funções inúteis, propagandas, e um código carregado, capaz de transformar qualquer supercomputador da época em uma lesma. Chegaram até a desenvolver um "Icq Lite" pra tentar combater o problema.
Nessa época, a Microsoft deu o pulo do gato, e abocanhou grande parte dos novos internautas tupiniquins com o novo, prático e atualmente intrusivo MSN Messenger...
É claro: anos depois o UOL faz sua investida nada inesperada contra o IM da Microsoft. Dessa vez, o diferencial era levar o usuário leigo ao engano e batizar sua nova empreitada no mercado com o singelo nome de... "Messenger".
Após 8 anos de sua entrada no mercado de instant messaging, risivelmente, a empresa conserta o já irrelevante problema da falta de integração com o ICQ. Há também a interessante integração com o GTalk e o verdadeiro Messenger - o da Microsoft.
Sob um aspécto, O UOL acerta a mão dessa vez, provavelmente com dor no peito, e resiste a tentação de atolar a interface do programa com o festival de propagandas que caracteriza a primeira página do portal da empresa.
A boa notícia acaba por aí. Ao abrir o programa a primeira coisa que se nota é como ele é identico ao MSN Messenger... Seria até interessante: um Msn Messenger sem propagandas e pop-ups... Mas o negócio dá medo. Além de um amontoado de links persistentes para serviços que ninguém usa, como o UOLK(ut), o novo IM do UOL possui os controles do medonho Windows Media Player a espreita, interligando o programinha a Rádio UOL. É como receber um tijolo de brinde com um pastel, sem a opção de recusar o presente.
E para tentar popularizar esse pastel de vento, uma maciça campanha publicitária é derramada na mídia televisiva brasileira, tentando angariar almas desinformadas para usar o programinha e risos dos mais atentos.
No comercial que ainda está sendo exibido, pode-se assitir um adolescente descolado dizendo:
"O Uol messenger é o unico que conversa com os outros messengers!!".
Imagem ilustrativa de um adolescente descolado
A propaganda falta com a verdade. Entre os instant messagers que se comunicam com multiplos protocolos, temos o Trillian, o Adium, e muitos outros, sem falar no GAIM, de onde veio o código fonte do novo comunicador do UOL.
Alguns podem dizer que o UOL acertou a mão ao "criar" um IM opensource, e até o próprio site do software parece tentar endossar essa ilusão de benevolencia: "O UOL optou por distribuir livremente o código-fonte do UOL Messenger".
Não é bem assim. O UOL é obrigado pelos termos de uso CC-GNU-GPL a fornecer o código fonte, já que é uma modificação de um software livre. Mais uma vez, o respeito a inteligência das pessoas fica em último lugar.
Mudando um pouco de assunto, quero alertar para o fato de que agora existe uma outra nova forma do UOL Messenger ser obsoleto: a implementação de voz sobre ip. Mas isso merece um capítulo a parte, já que representa a investida do UOL contra o Skype.
No próximo post, confira a terceira parte da série: "As 3 corridas que o Uol perdeu"

